quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008

Melhoria de Processos do Software Brasileiro

O MPS.BR ou Melhoria de Processos do Software Brasileiro, é simultaneamente um movimento para a melhoria e um modelo de qualidade de processo voltada para a realidade do mercado de pequenas e médias empresas de desenvolvimento de software no Brasil.

Ele é baseado no CMMI, nas normas ISO/IEC 12207 e ISO/IEC 15504 e na realidade do mercado brasileiro.

No Brasil, uma das principais vantagens do modelo é seu custo reduzido de certificação em relação as normas estrangeiras, sendo ideal para micro, pequenas e médias empresas.

Um dos objetivos do projeto é replicar o modelo na América Latina, incluindo o Chile, Argentina, Costa Rica, Peru e Uruguai.

O projeto tem apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia, do FINEP e do Banco Interamericano de Desenvolvimento. No Brasil o projeto é desenvolvido pelo Softex, pelo governo e por universidades.

Motivação

O Brasil é um país cujo desenvolvimento de produtos de software está entre os maiores do mundo, e a cada dia, aumenta o nível de exigência por parte dos clientes no que diz respeito à qualidade e complexidade dos produtos. A partir deste ponto, podemos observar que as empresas estão buscando cada vez mais a maturidade nos seus processos de software para atingir padronizações de qualidade e produtividade internacionais, que são essenciais para a sobrevivência no mercado de TI.

Porém, o custo de uma certificação para uma empresa pode ser de até US$ 400 mil, o que se torna inviável para empresas de micro, pequeno e médio porte. Então, em uma parceria entre a Softex, Governo e Universidades, surgiu o projeto MPS.Br (melhoria de processo de software brasileiro), que é a solução brasileira compatível com o modelo CMMI, está em conformidade com as normas ISO/IEC 12207 e 15504, além de ser adequado à realidade brasileira.O modelo

O MPS.Br é dividido em 3 partes: MR-MPS, MA-MPS, MN-MPS.

O Modelo

MR-MPS: Modelo de referência para melhoria do processo de software

O MPS.BR apresenta 7 níveis de maturidade (o que é um diferencial em relação aos outros padrões de processo) que são:

  • A - Em Otimização;
  • B - Gerenciado quantitativamente;
  • C - Definido;
  • D - Largamente Definido;
  • E - Parcialmente Definido;
  • F - Gerenciado;
  • G - Parcialmente Gerenciado;

Cada nível de maturidade possui suas áreas de processo, onde são analisados os processos fundamentais (aquisição, gerência de requisitos, desenvolvimento de requisitos, solução técnica, integração do produto, instalação do produto, liberação do produto), processos organizacionais (gerência de projeto, adaptação do processo para gerência de projeto, análise de decisão e resolução, gerência de riscos, avaliação e melhoria do processo organizacional, definição do processo organizacional, desempenho do processo organizacional, gerência quantitativa do projeto, análise e resolução de causas, inovação e implantação na organização) e os processos de apoio (garantia de qualidade, gerência de configuração, validação, medição, verificação, treinamento).

Em seguida vem a Capacidade, onde são obtidos os resultados dos processos analisados, onde cada nível de maturação possui um número definido de capacidades a serem vistos.

  • AP 1.1 - O processo é executado;
  • AP 1.2 - O processo é gerenciado;
  • AP 2.2 - Os produtos de trabalho do processo são gerenciados;
  • AP 3.1 - O processo é definido;
  • AP 3.2 - O processo está implementado.

MA-MPS

Método de avaliação para melhoria do processo de software

Tem como objetivo orientar a realização de avaliações, em conformidade com a norma ISO/IEC 15504, em empresa e organizações que implementaram o MR-MPS. Avaliação MA-MPS:

  • Equipe de avaliação: 3 a 8 pessoas, sendo:
1 avaliador líder
no mínimo 1 avaliador adjunto
no mínimo 1 técnico da empresa
  • Duração: 2 a 4 dias;
  • Validade: 3 anos;

Estruturação da Avaliação:

  • Planejar e preparar avaliação
Plano de Avaliação / Descrição dos indicadores de processo;
  • Conduzir Avaliação
Resultado da avaliação;
  • Relatar resultados
Relatório da avaliação;
  • Registrar e publicar resultados
Banco de dados Softex (Ver portal MPS.BR nas 'Ligações Externas')

MN-MPS – Modelo de negócio para melhoria do processo de software

Instituições que se propõem a implantar os processos MPS.Br (Instituições Implementadoras) podem se credenciar através de um documento onde é apresentada a instituição proponente, contendo seus dados com ênfase na experiência em processos de software, estratégia de implementação do modelo, estratégia para seleção e treinamento de consultores para implementação do MR.MPS, estratégia para seleção e treinamento de avaliadores, lista de consultores de implementação treinados no modelo e aprovados em prova específica, lista de avaliadores treinados no modelo e aprovados em prova específica.

Cursos e certificação

A Softex realiza cursos para formação de consultores, compradores e avaliadores MPS.BR. São ao todo 4 cursos:

  • Curso de Introdução - C1
  • Curso de Implementação - C2
  • Curso de Avaliaçao - C3
  • Curso de Aquisição - C4

Periodicamente, são realizadas provas a nível nacional para certificar profissionais em cada um dos cursos descritos acima. Tanto os cursos e as provas são realizadas nos Agentes SOFTEX em cada estado, por exemplo:

  • SOFTEX Campinas (SP)
  • ITS (São Paulo - SP)
  • FUMSOFT (Belo Horizonte - MG)
  • RIOSOFT (Rio de Janeiro - RJ)
  • SOFTSUL (Porto Alegre - RS)
  • Entre outras

Próximos passos

O modelo MPS.Br tem como objetivo até junho de 2006 implementar o Modelo de Referência para melhoria de processo de software em 120 empresas. E como objetivos secundários, a disseminação em diversos locais do país, capacitação no uso do modelo e o credenciamento de instituições implementadoras e avaliadoras do modelo, especialmente instituições de ensino e centros tecnológicos e também a implementação e avaliação do modelo com foco em grupos de empresas. A avaliação conjunta de grupos empresariais, objetiva a redução dos custos, porém há uma perda de foco, pois não há uma especificidade para cada empresa e sim um mesmo modelo de referência para todas elas. O MPS.Br já é uma realidade, e dentro de alguns anos, existe um projeto de implantação em seis países da América Latina, são eles: Chile, Argentina, Costa Rica, Peru, Uruguai e Cuba.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008



Missão da Secretaria de Tecnologia da Informação
Prover a infra-estrutura de Tecnologia da Informação ao Poder Judiciário do Estado de Rondônia, e disponibilizar a informação para promover o conhecimento com confiabilidade, agilidade, segurança e ética
Visão da Secretaria de Tecnologia da Informação
Ser referência por contribuir de forma criativa, transparente e comprometida com o judiciário para a célere efetivação da justiça.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Consultores parabenizam iniciativa do TJRO e apontam soluções durante o I Workshop de informática

Excelente. Está foi a definição dada pelos consultores de informática Júlio Grillo e Celina Rolim Reis à iniciativa do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia em realizar o I Workshop voltado para área de informática da instituição.

Militante na área de informática desde a década de 70 e fundador da Empresa Via Expressa Ltda, que atua no mercado tecnológico há mais de 15 anos, prestando serviços de criação sistemas, desenvolvimento e consultoria tecnológica para grandes empresas em todo o País, como por exemplo a Vale (antiga Vale do Rio Doce), Júlio Grillo disse que a Coordenadoria de informática, que será transformada em breve em Secretaria da Tecnologia da Informação, possui uma relação muito grande de projetos a serem desenvolvidos, e para atender a crescente demanda há dois caminhos.

O primeiro é buscar um maior relacionamento com outros Tribunais de Justiça, de maneira que possam ser trazidos para Rondônia, sistemas que vão ao encontro da necessidade e que já estejam implantados e em funcionamento. “Da mesma forma a Coinf do TJ de Rondônia poderia verificar quais são os sistemas que ela já desenvolveu e que não existem em outros Tribunais e fazer uma relação de permuta. Agindo dessa forma, certamente será oferecida uma maior quantidade de sistemas e soluções, num prazo mais curto e com a mesma quantidade de recursos”, sugeriu o Consultor.

O outro caminho está voltado para criação de uma área de organização e métodos, que ficaria responsável pelo levantamento de fluxos de informações, normas, procedimento e a execução de serviços prestados pela Coinf. “É de fundamental importância que sejam realizados seminários internos semestrais de reavaliação do planejamento, quinzenais somente com a equipe tecnológica e anuais com integrantes de outros Tribunais de Justiça, de maneira que haja uma troca de informações de sistemas, de desenvolvimento, para que todos possam saber o que esta acontecendo em torno da tecnologia de informação”, ressaltou Júlio Grillo.

A consultora Celina Rolim Reis, que trabalha na Empresa Via Cad Consultoria, aprovou a criação de um plano estratégico próprio para a Coinf, definindo linha e direção para que possa oferecer um serviço cada vez melhor para os seus usuários, tanto internos, quanto externos. “A Coinf existe para que o Tribunal de Justiça de Rondônia alcance o seu objetivo que é a prestação jurisdicional mais célere”, afirmou.

Celina Rolim ressaltou ainda o apoio incondicional da administração do TJ, que está disposta a investir em sua área de informática. Segunda ela, isso demonstra uma preocupação com a melhoria dos serviços a serem prestados. “Podemos afirmar que a participação da cúpula do Poder Judiciário no processo de desenvolvimento, certamente trará ótimos resultados”, concluiu.

O I Workshop de Informática do Tribunal de Justiça de Rondônia aconteceu nos dias 8 e 9 de fevereiro, no Centro de Treinamento do Poder Judiciário Estadual, e reuniu aproximadamente 70 servidores, entre técnicos e analistas de sistemas, além do Vice-Presidente do Tribunal, Desembargador Walter Waltenberg Silva Junior e dos juízes auxiliares da Presidência e da Corregedoria Geral da Justiça.

\ Assessoria de Comunicação Institucional do TJRO

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

I Workshop de Informática da Justiça Estadual tem início nesta sexta-feira (8)

O Tribunal de Justiça promove sexta-feira (8) e sábado (9) o I Wosrkshop de informática da Justiça Estadual, no Centro de Treinamento do Poder Judiciário, em Porto Velho. O evento será aberto pela Presidente do Tribunal, Desembargadora Zelite Andrade Carneiro, e reunirá 65 servidores da Coordenadoria de Informática do TJ (Coinf), entre técnicos e analistas de sistemas, que vão discutir as metas estratégicas do Sistema de Informação a serviço da justiça e projetos para o biênio 2008/2009 nas áreas judiciária e administrativa.

Os organizadores do Workshop destacam a oportunidade de compartilhar experiências e mostrar soluções práticas e objetivas para problemáticas da área de informática . Como convidados, participam Júlio César Dutra Grillo e Celina Rolim Reis, renomados consultores e palestrantes, com várias especializações do conhecimento científico, como doutorado, coordenação de cursos e de grandes empresas.

O encerramento do encontro se dará na tarde de sábado, com a participação de magistrados e servidores, usuários dos diversos sistemas de informática, que discorrerão sobre suas necessidades e avaliação sobre os serviços oferecidos pela Coinf.

\\ Assessoria de Comunicação Institucional TJ RO

domingo, 3 de fevereiro de 2008

TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO NO ÂMBITO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DE RONDÔNIA

Alberto Ney Vieira

Hoje em dia, não conseguimos imaginar o Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia funcionar sem o seu parque de informática, que atingiu todas as comarcas instaladas no Estado de Rondônia. O que necessitamos é que se adotem medidas para que os recursos disponíveis através da TI – Tecnologia da Informação - sejam efetivamente utilizados, agilizando ainda mais a prestação jurisdicional.

A adoção e o uso da TI pelo Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia trazem diversas vantagens, e uma delas é a otimização dos processos internos, o que proporciona celeridade dos processos judiciais e administrativos.

Neste sentido, os recursos disponibilizados pela TI devem ser explorados de acordo com o planejamento estratégico e alinhados à proposta do Tribunal de Justiça, pois, do contrário, se utilizados apenas de forma emergencial, só irá gerar custos desnecessários.

Hoje a TI se tornou uma questão de sobrevivência em todas as instituições. Se analisarmos a quantidade de programas desenvolvidos internamente para a diminuição de gastos, veremos que este é o momento de redução de custos e, por sobrevivência, devemos buscar sempre o ajuste de foco nos objetivos e controle de atividades desenvolvidas pelo Tribunal.

Saber se a plataforma de TI está posicionada estrategicamente com o Tribunal de Justiça é uma questão que deve estar na cabeça da Alta Administração do Poder Judiciário, mas também os custos, que são comprometidos pela área, devem ser examinados minuciosamente. Medir esses dados é difícil, pois, de certa forma, a TI é intangível e o conhecimento da atividade, muitas vezes, é restrito.

Hoje é comum ouvir falar que os investimentos feitos pela Empresa ou Órgão X em tecnologia de ponta foram em bilhões de reais, mas é indispensável saber se o valor aplicado supriu as necessidades; se o montante sofrerá modificações posteriores pela falta de conhecimento prévio do negócio ou se apresenta soluções harmônicas com o alinhamento estratégico do Tribunal e com os seus planos para os próximos 10, 20 ou 30 anos.

Essas soluções extremas e rápidas para gestão da área são anunciadas todos os dias, mas buscar meios mais eficientes e de custo acessível, que demonstrem qualidade, são pontos que devem ser considerados, “nem sempre o serviço com custo mais alto, é o ideal para ser utilizado”.

Como o Tribunal vai atingir o êxito, se implantar qualquer sistema de gerenciamento? A dúvida sempre existirá. Nada garante a sobrevivência do seu objetivo para o qual foi criado e o investimento de milhões de reais poderá ser perdido.

Implantar ou reestruturar a TI no Tribunal necessita de um estudo complexo da gestão, avaliação dos projetos em execução, dos objetivos do próprio Tribunal e de todos os itens necessários para que determinado projeto alcance o sucesso esperado. Caberá a Alta Administração avaliar os aspectos estratégicos; os recursos físicos; os recursos lógicos - como hardwares, servidores e os compartilhamentos de redes -; e os recursos humanos competentes para as atividades.

E ainda, estudar quais os softwares e sistemas é mais compatível à gestão do Tribunal, estabelecer políticas de privacidade e segurança, optar ou não pela adoção do sistema de telefonia Voip - Voice over Internet Protocol ou, em português, “Voz sobre o Protocolo da Internet – IP”, para economizar os custos de comunicação.

Como se não fosse o suficiente, deve ainda examinar os recursos humanos que terão que gerir a área, que nada mais são do que “alma do Tribunal”, pois tudo o que acontece diariamente em todas outras áreas, como serviços, recursos humanos, finanças, gestão, atendimento ao cliente, afeta o cliente final – o jurisdicionado. A competência e a disponibilidade de profissionais especializados para atender o que o Tribunal necessita é de extrema importância para o atingimento de seu objetivo maior.

O acesso a TI, e de todos os benefícios que pode trazer às organizações, não pode ser considerado fácil, pois exige competência, visão e profissionalismo. Depois da implementação ou ajustes necessários, o que determinará êxito na área é o alinhamento à gestão e uma análise constante pelos gestores, verificando os pontos a sofrerem processos de melhoria contínua.

Desenvolvimento com engenharia: um caso de sucesso

Sidnei Feliciano

No início de março de 2007 recebemos na área administrativa uma solicitação da Ouvidoria para o desenvolvimento de um sistema que controlasse as mais de 8000 manifestações que recebiam anualmente, gerando um resultado estatístico do que foi realizado, acompanhando o encaminhamento e as soluções dos problemas apresentados.


No processo de análise, a primeira etapa foi o estudo de viabilidade. Procuramos sistemas que pudessem atender à necessidade, inclusive em outros Tribunais. Não encontramos nenhum que se adequasse. Esta pesquisa se extendeu por cerca de um mês na busca, teste e análise de softwares.


Decidiu-se, então, iniciar o projeto do software. Após diversas entrevistas com a equipe da Ouvidoria, modelamos uma série de casos de uso e documentamos em mais de 15 especificações. A documentação foi produzida toda com o MS-Word, inclusive os protótipos de tela.


Para auxiliar no processo de análise e aperfeiçoamento dos modelos, produziu-se um site em HTML permitindo que o usuário visualizasse os resultados e a interação das telas. A ferramenta utilizada foi o NetObjects Fusion.


Produziu-se também como resultado desta etapa um modelo UML (Unified Modeling Language) conceitual, no qual podia-se mapear o contexto em que se inseria o sistema de Ouvidoria no ambiente estrutural do SIGA. Usamos o NetBeans como ferramenta UML para a geração dos modelos conceituais.


Esta etapa da análise, arquitetura e projeto da especificação durou cerca de 4 meses de muita modelagem e conversa com o usuário.


Com a aprovação dos requisitos, entregamos a documentação para apreciação do Rafael para que este identificasse o nível de complexidade de cada artefato e pudesse estimar o tempo para implementar cada um.


Já que não possuímos uma referência de métrica de software (como o cálculo de pontos de função), optamos por definir três níveis de complexidade: fácil, médio e difícil, atribuindo para cada situação uma quantidade de dias para realização.


Também encadeamos os artefatos na sequência necessária, como por exemplo, primeiro fazer o módulo de cadastro de manifestações, para depois fazer o módulo de encaminhamento.


Como ferramenta adicional para esta etapa, utilizamos o MS-Project.


Produzimos então, com a ajuda do MS-Project, três cronogramas: um para o desenvolvedor (mais apertado), um para o gestor do projeto e um outro mais longo para o usuário. Desta maneira, teríamos facilidade para gerenciar as dificuldades características da nossa área (atraso de cronograma é ruim especialmente para o usuário).


O Rafael foi alocado para o sistema de Ouvidoria logo após concluir algumas implementações no SIGA. Um situação não foi prevista no cronograma: as férias em dezembro do Rafael. Contudo, este imprevisto não afetou o projeto, recaindo na gestão do cronograma do gestor. O prazo para a entrega ao usuário é em março e o Rafael, depois que voltou de férias, está para liberar o sistema para a fase de testes.


Acredito que teremos a capacidade de entregar o sistema dentro do prazo. E ainda, vencendo um paradigma que sempre me assustou: o problema do cronograma que nunca é cumprido.


Confio este sucesso na metodologia empregada, oriunda de uma área na qual acredito que devemos nos apegar mais: a Engenharia de Software.


A Secretaria de TI e os novos tempos.

Tibério Luiz

Passando a integrar a equipe de TI do Tribunal de Justiça do Estado de Rondônia – TJRO no final de 2003, deparei-me com um exemplo claro de que o negócio público é levado a sério, que realmente existem pessoas comprometidas com a qualidade e eficiência na aplicação dos recursos públicos, sempre com vistas ao cidadão, ví isso em várias áreas do TJ, não apenas na Coinf. Vindo da iniciativa privada, com uma breve passagem pelo executivo, possuía uma imagem negativa do serviço público, mesmo assim decidí encarar de frente este desafio. Hoje tenho certeza que em muito me enganei ao achar que encontraria pessoas acomodadas e sem comprometimento.


Vejo que fazemos parte da elite de TI do Estado de Rondônia e certamente muito a frente da maioria dos tribunais estaduais e federais, conquanto saibamos que ainda estamos muito aquém de nossa real capacidade e temos um longo e tortuoso caminho a percorrer.


Não convém, nem será objetivo deste artigo, apontar fontes ou responsáveis pelos nossos erros, ao contrario disso, identificá-los, de forma a suscitar o debate, tão necessário neste momento ímpar que atravessamos. Como sabemos, anualmente o número de feitos distribuídos no Judiciário Rondoniense aumenta exponencialmente, em 2007 foram cento e oito mil casos novos só no primeiro grau e hoje é inconcebível atender esta crescente demanda sem uso efetivo da informática, fato que eleva a área de TI, como elemento estratégico para a Administração do Tribunal. Como co-responsáveis diretos pelo sucesso da Coinf, é momento de reconhecermos as falhas e buscarmos juntos as soluções que precisamos. Sabemos que as opiniões apresentadas neste artigo não serão compartilhadas por todos, mas isso realmente foge ao seu objetivo, é inevitável estimar um crescimento e melhoria do setor de TI sem identificar claramente seus problemas.


Quando falamos de problemas e erros da Coinf, de pronto pensamos em infra-estrutura, ambiente de trabalho, investimentos, capacitação, grande demanda de trabalho, salário, etc... É claro que temos que pensar nesses temas, mesmo assim os considero pormenores diante do quadro real temos em relação à gestão de projetos, processos organizacionais, planejamento, organograma entre outras questões que refletem mais fortemente nos resultados de nosso trabalho. Vamos por exemplo pensar em capacitação, recordo que no ultimo ano realizamos cursos de PMI, UML, teste de software, Java, Oracle Application Server, entre outros, que somados ultrapassam 20 cursos. O Tribunal tem atendido satisfatoriamente nossos anseios o que já foi um ponto positivo, contudo faço um questionamento, quanto desses cursos estamos aplicando em nosso quotidiano? A resposta quase unânime será: pouquíssimo ou nada. No ponto: investimentos, anualmente um bom recurso financeiro oriundo do FUJU é destinado à área de TI, temos em vigor desde 2001 a LEI estadual 1004, que sugere à administração o uso preferencial de software livre, porém, boa parte do recurso, utilizamos em licença de softwares, inclusive estamos há um ano no processo de compra de um software para UML, o uso de VOIP já é realidade em muitas corporações e até domestico, e nós ainda não avançamos neste sentido. Enquanto isso, nossa rede em muitas comarcas e em alguns pontos da capital é inadequada à nossa demanda. Outro tema é a demanda de trabalho, indubitavelmente incompatível com o tamanho de nossa equipe, é necessário mais pessoal de apoio ao usuário, analistas de requisitos, analistas de desenvolvimento, analistas de testes, gerentes de projetos, ocorre que sempre assumimos novas tarefas, mesmo sabendo que haverá comprometimento de projetos em andamento, e que não conseguiremos honrar os prazos e não será possível dispensar o tempo necessário à prestação do serviço com a qualidade necessária o que interfere inclusive na estima da equipe.


Vejamos estes sintomas, aparentemente os grandes vilões. Nosso problema real vai além desses pormenores, vejo que estamos esquecendo mesmo de planejar e organizar melhor nossas ações, estabelecermos metas quanto às mudanças em nossos processos internos, imagine como é difícil planejar os cursos e outros investimentos para o futuro, se não sabemos para onde vamos. Por que não utilizamos UML? Por que fizemos um curso de PMI e não montamos uma equipe de projetos? As respostas são várias: Ainda não temos a cultura do planejamento, o nosso modelo de gestão atual requer modernização, faltou vontade e patrocinador para conduzir esta mudança. Realmente estou falando de mudanças radicais e toda expectativa de mudanças provoca receio e não é fácil acontecer, infelizmente não há mais como adiar este processo de modernização da Coinf e de gestão de TI, pois estamos às vésperas de um estouro na demanda de todos os serviços em nosso estado e com o Judiciário não será diferente. Não quero dizer com isso tudo, que a Coinf está parada, apenas afirmo, que podemos e devemos melhorar a qualidade e eficiência de nosso trabalho, nos sacrificando para implantarmos definitivamente a gestão efetiva dos projetos-PMI, modelos de gestão de TI mais modernos como COBIT, ITIL, mudanças em nosso organograma, etc... e tenho certeza que este Workshop será um divisor de águas no rumo da Coinf e de pronto sugiro que este ocorra ao menos uma vez por ano, se possível, semestralmente.


Um Assunto que deve ser bastante debatido neste workshop é o nosso foco no planejamento estratégico do Tribunal, a Coinf precisa ser um órgão que presta serviço ao Tribunal, com vistas em qualidade e sempre em sintonia com o Planejamento estratégico, temos que estabelecer metas e procurar seguir a risca o PDI e o Planejamento estratégico. Observamos que durante o curso de nossos projetos, coisas novas surgem, novos projetos são iniciados, prejudicando mortalmente nosso PDI e pouca reação ocorre por parte da Coinf, neste sentido temos sim, que trabalhar também esta problemática. Outro ponto delicado é que a Coinf precisa ser um órgão técnico, consultivo e respeitado, não raro uma vaidade é acolhida em detrimento de uma análise técnica e normalmente quando isto ocorre, muito desperdício de trabalho é gerado. Isso só poderá ser alterado, através da mudança de perfil de nossos colaboradores e não adianta conjeturar quanto ao coordenador ou algum diretor, esta mudança dependerá de todos, como num time e através de normas que teremos que propor à administração.


Quando realizamos o curso de Gestão de Projetos-PMI, imaginamos como poderíamos implantar tantas técnicas importantes que vão da gestão de escopo, pessoal, controle de qualidade, comunicação ... em nosso ambiente? Se iniciarmos uma das áreas de conhecimento por semestre, poderemos chegar lá. Porém para isso acontecer, sacrifícios serão necessários, teremos que estudar mais, sacrificar algum ou alguns projetos do Tribunal, tudo isso com vistas em um órgão de TI mais eficiente e maduro num futuro próximo, capaz de atuar a altura da necessidade do judiciário Rondoniense.

Um assunto interessante que desejamos abordar é quanto a troca de tecnologia entre órgãos da administração pública. Em 2007 elaborei e através da coordenadora de informática enviei um email à todos os diretores de TI, informando que deveríamos conversar mais sobre certificação digital e assim tivemos apoio do TJMS e do TJRS, preparamos e mandamos também um oficio ao STF solicitando apoio quanto ao carimbo de tempo e também obtivemos resposta, hoje a infra-estrutura de carimbo de tempo do STF está a nossa disposição e com isso economizaremos só de investimento inicial, mais de R$300.000,00. A EC 45 de 2004 foi um marco importante nesse sentido, hoje o CNJ está fomentando essa integração de forma natural, não mandatória, um exemplo claro está no desenvolvimento do sistema projudi e mais ainda com a Resolução 46, que estabelece as tabelas processuais unificadas de classe, assunto e movimento para o judiciário estadual. Esta campanha deve ser abraçada por nós de Rondônia, podemos levantar a bandeira de desenvolvimento conjunto de projetos, o ganho é para todos. Uma oportunidade que temos é o desenvolvimento de projetos como o Sap Segundo Grau Virtual, julgamento virtual, um sistema de apoio a decisões com consultas à base de julgados, leis, etc...

Outro assunto relevante, é a nossa remuneração, sabemos que existem órgãos da administração que pagam menos que o TJ, da mesma maneira sabemos que somos mal remunerados se comparados a outros tribunais. Na prática a questão salarial é muito relativa e depende diretamente da estratégia da Administração quanto ao rumo de TI, cada profissional possui seu valor, o TJRO no ano passado perdeu três excelentes profissionais de TI e poderá perder muito mais, porquanto o bom profissional vai para quem pagar melhor. Neste sentido temos que mostrar à administração que somos os melhores e fazer entender que órgãos que pagam menos não são referência para nós, estes não possuem o mesmo perfil profissional da Coinf. Ratificamos sem medo de errar, que a Coinf reúne uma das melhores equipes de TI do Estado, senão da Região Norte, com imensa perspectiva de crescimento, e por isso este assunto tem que ser considerado prioridade.


Como podemos ver, o caminho será longo, e neste primeiro workshop, poderemos debater temas como: a reestruturação da equipe, análise de aptidões individuais, criação de equipes ad hoc para cada projeto, mudança no organograma, adoção de técnicas de gestão de projetos modernas, normatização de uma metodologia de desenvolvimento e padronização de ferramentas, investimento em um ambiente mais adequado para nosso trabalho, criação de mecanismos para motivar a equipe, continuação do programa de capacitação profissional, remuneração, integração com outros TJ´S e principalmente a criação de um grupo de trabalho independente, para fomentar e conduzir toda essa mudança. Juntando estes temas aos propostos pelos outros colegas e diretores, teremos muito a refletir e a construir.



Para finalizar, faço questão de elogiar a Coinf, que mesmo com todas as dificuldades, têm desempenhado um papel fundamental para o aperfeiçoamento da prestação jurisdicional, atendendo com presteza às necessidades do Poder Judiciário e ratificar que temos todos os recursos para transformar a Coinf em uma grande equipe, produzindo e atendendo com muito mais qualidade e eficiência, apenas quebrando paradigmas, implantando novos processos e aplicando técnicas modernas de gestão, sem a ilusão que isso aconteceria em curtíssimo prazo. E desejo à todos e a Coinf a benção de Deus e muito sucesso.


Um forte abraço à todos,


Por:Tiberio Luiz


Colaboração: Tarik Kamel